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domingo, 29 de janeiro de 2017

A ópera-bufa do combate ao terrorismo

A "relação especial" entre Estados Unidos e Arábia Saudita
deve continuar durante o governo Trump.
Desde 2015 tenho dito e repito: qualquer iniciativa antiterrorista que não inclua sanções à Arábia Saudita é pura demagogia. Osama Bin Laden, um membro da elite saudita, fundou o grupo terrorista mais famoso do mundo — a al-Qaeda — em 1988. O bando visa instituir o salafismo como religião oficial dos países do Oriente Médio. O salafismo ou wahhabismo é uma vertente ultra-conservadora do sunismo que defende que os muçulmanos devam viver como os primeiros seguidores do profeta Maomé. Os salafistas são contra inovações posteriores do mundo islâmico, como a separação entre o Estado e a religião, peregrinações a mausoléus — o que eles consideram como idolatria — e o convívio entre os sexos. Trata-se da religião oficial da Arábia Saudita que, pasmem, pune a idolatria com pena de morte. Dito isso, não é nenhuma surpresa que 15 dos 19 jihadistas que sequestraram os quatro aviões que jogaram contra o Pentágono, o World Tarde Center e um campo na Pensilvânia em 11 de setembro de 2001 eram cidadãos sauditas.

Embora o governo da Arábia Saudita negue possuir qualquer relação com grupos terroristas salafistas, a al-Qaeda é financiada por bilionários daquele país, como os banqueiros Saleh Kamel e Sulaiman Abdul Aziz Al Rajhi e o ex-ministro do petróleo Ahmad Turki Yamani. Segundo um memorando de 2009 do Departamento de Estado dos Estados Unidos, vazado pelo WikiLeaks, a Arábia Saudita é a principal fonte de financiamento de grupos terroristas sunitas no mundo. Além da al-Qaeda, o país estaria financiando também outros grupos terroristas. Várias fontes, como o governo do Iraque, a revista The Atlantic, as emissoras de televisão BBC e NBC, o jornal The New York Times e o site de notícias Daily Beast acusam a elite ou o governo saudita de financiar também o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que também promove o jihadismo salafista. A Arábia Saudita exporta mais combatentes para este grupo do que qualquer outro país do mundo depois da Tunísia. Nas áreas controladas pelo grupo, professores lecionam com livros didáticos sauditas.

Estado Islâmico e Arábia Saudita defendem a mesma versão do Islã.
Num outro documento vazado pelo WikiLeaks — um e-mail de agosto de 2014 direcionado a John Podesta, conselheiro do então presidente Barack Obama —, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton afirma que tanto a Arábia Saudita quanto o Qatar estão "fornecendo apoio financeiro e logístico clandestino ao ISIS e outros grupos sunitas radicais na região". É questionável, no entanto, se ela faria algo para conter a situação que denuncia no e-mail caso estivesse hoje na Casa Branca. A Fundação Clinton já recebeu doação dos governos de ambos os países. Por este motivo, Clinton foi criticada pelo senador Bernie Sanders durante as primárias do Partido Democrata. Sanders disse ter um problema com uma secretária de Estado cuja fundação recebe milhões de dólares de governos estrangeiros que são ditaduras. Até mesmo o New York Times, que declarou apoio à candidata, afirmou em um editorial que havia razões para acreditar que, embora não há evidências de que Clinton tenha favorecido os doadores de sua fundação, havia um conflito de interesses no caso.

Seu oponente, o agora presidente Donald Trump, também acusou-a de conflito de interesses durante um dos debates presidenciais. Segundo ele, ela deveria devolver os US$ 25 milhões que a Arábia Saudita doou à fundação porque "essas pessoas tratam as mulheres horrivelmente". Noutra ocasião, no entanto, disse que gostava muito dos sauditas, pois eles estavam entre seus principais clientes no ramo imobiliário. Só que ele afirmou também que, uma vez eleito, tomaria medidas enérgicas contra o terrorismo islâmico. Segundo o jornal New York Daily News, no entanto, Trump possui negócios no ramo hoteleiro da Arábia Saudita, país que não foi afetado por seu decreto presidencial que baniu a entrada nos Estados Unidos de pessoas oriundas de sete países do mundo muçulmano — Irã, Iraque, Síria, Iêmen e os africanos Líbia, Somália e Sudão. Entre 1975 e 2015, 2.369 norte-americanos foram mortos em solo estadunidense por terroristas sauditas e, ainda assim, os sauditas podem obter visto e entrar nos Estados Unidos assim que quiserem. 

Os ignorantes confundem vítimas e perpetradores do terrorismo.
É para eles que Trump toca sua ópera-bufa sinistra.
Ao invés de punir quem espalha o fundamentalismo islâmico que gera o terrorismo, Trump vai punir as vítimas do terrorismo. Banir pessoas que, na maior parte dos casos, são sobreviventes de guerra e perseguidos políticos buscando refúgio noutro país, além de ser um tremendo descaso do ponto de vista humanitário, vai ter um efeito praticamente nulo na luta contra o terrorismo. Isso sem falar que foram os Estados Unidos e, mais especificamente, o partido de Donald Trump que transformaram o Iraque num campo fértil para as ações do Estado Islâmico. Ao vetar a entrada de sírios e iraquianos e não de sauditas, Trump demonstra que seu discurso não passa de pura balela. Uma demagogia para aqueles que temem o terrorismo islâmico sem entender muito bem como ele opera. E que nem buscam entender, pois parte significativa do medo vem justamente da ignorância. Em termos de combate ao terrorismo, Trump toca uma ópera-bufa sombria para uma plateia de ignorantes — lá nos Estados Unidos, mas também aqui no Brasil — aplaudir.

sábado, 23 de julho de 2016

Viver em Cristo é viver em amor

Texto escrito em 29 de junho de 2016.

Ontem me coloquei no lugar dos cinco rapazes mortos por homofobia durante a última semana no Rio de Janeiro. É um exercício doloroso a empatia. Principalmente quando a vítima poderia muito bem ser você mesmo. Não é possível que em pleno século XXI — e com os olhos do mundo voltados para o Rio por causa das Olimpíadas — pessoas continuem sendo assassinadas por serem quem elas são, por terem o código genético que possuem. O fato é que gay is the new black em termos de opressão. Agora que é crime culpabilizar os negros pela penosa vida que o sistema capitalista lhe impõe, o povão encontrou nos LGBTs um novo bode expiatório. Junto com os imigrantes, é claro. Esqueça sobre o pagamento dos juros da dívida pública que rouba o dinheiro de nossos impostos e não contribui em absolutamente nada para o crescimento da economia; há dois homens se beijando em público na televisão e é mais importante debater costumes morais do que a extorsão de governos promovida pelo sistema financeiro a nível mundial.

Dois meses antes, Bolsonaro se converteu do catolicismo ao
pentecostalismo. Deve estar mais à vontade na nova igreja.
As cabeças cariocas fracas e pouco instruídas funcionam como oficinas de diabos como Jair Bolsonaro e Silas Malafaia que, embora não tenham puxado o gatilho, deram a ordem para que puxassem. Essa seria a ordem de um Deus que não é mensageiro da paz e nem do amor, mas sim a representação do que há de pior na psique humana. Parte da culpa pela proliferação da intolerância é de quem sempre lutou contra ela. Ao priorizar mais o desenvolvimento econômico do que o social, os governos do Partido dos Trabalhadores acabaram produzindo uma legião de ingênuos úteis, que sabem tudo sobre o funcionamento de smartphones, carros e televisores e nada sobre o funcionamento da biologia ou de como deveria ser a vida em sociedade. Como minha mãe sempre diz, o poder não deixa vácuo. O vácuo na cultura e na educação foi ocupado por mercenários de almas, para quem seguir a lei judaica — de onde tiraram o famigerado "evangelho da prosperidade" — é mais importante do que ser um discípulo dos ensinamentos de Jesus Cristo.

É sintomático que Bolsonaro tenha saído da Igreja Católica romana cerca de dois meses antes do líder espiritual desta instituição milenar declarar que ela deve um pedido de desculpa aos homossexuais. A fé de Bolsonaro, assim como sua atuação parlamentar, é oportunista. Só tem serventia a ele enquanto ele puder utilizá-la para justificar sua visão torpe de mundo. Agora que não pode mais usar o Vaticano como justificativa para sua homofobia, este não lhe serve mais. Mesmo caminhando a passos mais lentos do que as igrejas protestantes tradicionais — a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil aceita fiéis homossexuais desde 1998  — a Igreja Católica evolui e pessoas como Bolsonaro e Malafaia são agentes anti-evolução social. A sobrevivência deles depende da manutenção do status quo. Num cenário em que todos recebam uma educação de qualidade, ninguém seria mais seduzido pelo discurso fácil deles de que os homossexuais e os haitianos são os culpados pela degradação da sociedade brasileira. Não é à toa que líderes evangélicos são entusiastas do "Escola sem partido".

Dá pra imaginar uma prostituta ungindo Malafaia?
Apesar do cenário desolador, não devemos esmorecer. Mesmo que caiam mil à nossa direita e outros mil à nossa esquerda devido ao ódio malafaiano, vamos triunfar. Porque nós sabemos o que é o amor. E a religião de Jesus não era o cristianismo, era o amor, sobretudo aos marginalizados pelo status quo de sua época. Se caminhasse entre nós, Cristo condenaria boa parte dos "cristãos" de nosso tempo e também seria condenado por eles. "Cristo" vem do grego e significa ungido, ungido que foi por uma mulher de moral duvidosa que o amava como ele a amava: incondicionalmente. Alguém imagina os principais líderes evangélicos do Brasil sendo ungidos por uma prostituta? O argentino Jorge Bergoglio — membro da Companhia de Jesus, que promoveu a evolução da Igreja com o Concílio do Vaticano, e o primeiro papa não-europeu em um milênio — com certeza seria. O que ele tenta resgatar é justamente o amor aos oprimidos presente no Evangelho. Pois viver em Cristo é viver em amor, independente da forma como ele se manifesta.

domingo, 6 de dezembro de 2015

José e Maria, os refugiados

Hoje a comunidade cristã comemora o segundo domingo do Advento, ou seja, há uma semana iniciaram-se as preparações para a festa mais importante da fé cristã: o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse momento, somos instigados a lembrarmos da narrativa bíblica, onde um jovem casal de Nazaré se dirige para Belém com a finalidade de serem contados pelos oficiais do recenseamento como cidadãos do Império Romano, estado que dominava a região. Ao chegarem na cidade, se depararam com uma situação atípica: todas as estalagens estavam ocupadas. O casal acaba encontrando refúgio num estábulo, onde a jovem Maria de Nazaré dá à luz o profeta da maior religião do mundo. O Salvador do Mundo nasceu junto de animais de fazenda, sem luxo ou  conforto. Apesar da distorção teológica contemporânea de alguns cristãos,  a simplicidade e a humildade são marcas essenciais da narrativa cristã.

Como já virou recorrente na história do cristianismo, as pessoas revisitam a história de Jesus sem apreender a mensagem por trás dela. Nesse novo Advento, início do 2.016° ano da era cristã, muitas famílias montam seus presépios, que retratam uma família de refugiados do século I, enquanto atacam Marias e Josés de uma nova era. Assim como os pais de Jesus, os casais sírios precisam de nossa ajuda. Assim como o menino Jesus, os bebês haitianos que também nascem em condições insalubres antes de partirem para o exílio precisam de nossa compaixão. A alma caridosa que cedeu um teto, mesmo que de um estábulo, para os pais de Jesus de Nazaré sequer é citada nominalmente na narrativa bíblica, mas sua lição ecoa até os dias de hoje como exemplo de compaixão e amor ao próximo. É o ponto central do ministério de Jesus. E, para os que distorcem a teologia e valorizam mais o Antigo Testamento do que o Novo, é o ponto central também da narrativa de Sodoma e Gomorra. As cidades foram destruídas porque não sabiam acolher os estrangeiros.

Trecho da minissérie The Bible.
De que adianta ler a Bíblia, saber citá-la ipsis litteris, se não se incorporou a mensagem dela no âmago de sua alma? Hoje o mundo cristão se fecha para os refugiados de outras religiões – nomeadamente o vudu haitiano e o Islã das vertentes minoritárias. Logo os cristãos, que foram tão perseguidos por judeus e pelos seguidores da religião mitológica greco-romana nos primeiros séculos de sua caminhada, jogados aos leões no Coliseu como forma de entretenimento da elite romana. Logo os cristãos, cujo Cristo desafiava as normas sociais vigentes em sua época e se misturava com os samaritanos, minoria religiosa ainda hoje perseguida pelo status quo judaico em Israel. Ler a Bíblia é muito legal, mas interpretá-la é o que diferencia um conhecedor de um fiel. Ser um seguidor de Jesus Cristo, para mim, significa apreender todas as lições de seu Evangelho e não somente aqueles trechos que melhor me convém.

No debate sobre os refugiados, deixamo-nos tomar pelo medo. Medo de que os muçulmanos que estão vindo da Síria sejam extremistas (embora eles estejam fugindo dos extremistas), medo de que os haitianos tomem nossos empregos (embora a maioria deles tenha tido uma educação precária ao extremo e não ofereçam grandes riscos). Quando indagado sobre quem seria o vizinho que deveria se amar, Jesus não apontou para um judeu como ele, mas para um samaritano. O bom samaritano, que importou-se em cuidar de um homem – que não era de sua religião ou cultura – caído e ferido na beira da estrada após um assalto. Apesar de não seguir a religião majoritária, ele demonstrou, para Jesus, agir mais conforme a palavra de Deus do que  aqueles que ficavam no Templo de Jerusalém ditando como os religiosos deveriam agir para agradar a Deus. No momento estamos passando pela estrada e deixando o homem ferido caído lá.

José e Maria também dependeram da bondade de um estranho para terem a criança que mudaria o mundo com seus ensinamentos sobre amor e compaixão. Eram refugiados, mesmo que temporários (se você acredita na história da fuga para o Egito, então foram ainda mais do que refugiados temporários), e precisaram contar com a ajuda de estranhos. Se a história do casal se repetisse hoje, eles teriam o pedido de refúgio negado por aqueles que montam presépios que retratam a história deles mesmos! Não estamos fechando a porta para casais sírios ou haitianos, estamos fechando a porta para José e Maria. A lição do cristianismo é uma lição de cuidado e ajuda ao próximo, em especial àqueles que estão à margem da sociedade, mas em algum ponto do desenvolvimento da nossa religião nos esquecemos disso. Enquanto montamos nossos presépios com José e Maria, os refugiados, falamos mal de sírios e haitianos que tentam uma vida melhor em nosso país, dito cristão.

domingo, 15 de novembro de 2015

O que 11/09 e 13/11 têm em comum?

O que os recentes atentados de terroristas islâmicos em Paris têm em comum com os atentados de 11 de setembro em Nova York? Ambas as cidades são símbolos de seus respectivos países e continentes. Paris é a capital cultural da Europa e Nova York, da América Norte. São cidades onde concepções de mundo se chocam o tempo todo. Por exemplo: no início do ano judeus anti e pró-ocupação da Palestina entraram em confronto na Times Square. Tanto em Paris quanto em Nova York há uma guerra cultural que está sendo amplificada pela atual crise econômica global. Já é de conhecimento até do mundo mineral que crises propiciam o surgimento do radicalismo ideológico, seja ele de cunho político ou religioso.

Quando Osama bin Laden orquestrou os atentados de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas de Nova York, ele quis atingir não só o sistema financeiro da cidade que possui o maior PIB do mundo. Ele quis também atacar seu multiculturalismo. Nova York é a cidade mais etnicamente diversa do mundo. É o município dos Estados Unidos com mais negros, latinos, judeus, muçulmanos, asiáticos e gays. Catolicismo, judaísmo e islã são as três religiões mais praticadas na cidade, respectivamente, enquanto cerca de 800 idiomas são falados localmente. Aceitar o desafio de ser um cidadão desse município implica num exercício diário de convivência e tolerância ao diferente, ao Outro da psicologia.

Na Cabul homogeneizada por radicais islâmicos, Nova York era vista como o Outro que deveria ser atacado. Para os radicais – aqueles que recusam a interpretação do Outro para os fenômenos sócio-políticos e sobrenaturais – conviver com o Outro implica em aceitar e até mesmo endossar sua ideologia. Em seus vídeos, bin Laden afirmava que os Estados Unidos foram punidos com os atentados de 11 de setembro devido à "corrupção moral" de seus cidadãos. Nem mesmo a existência de uma mesquita no World Trade Center poupou a destruição do edifício. Na visão dos radicais islâmicos, se um muçulmano aceita se expor ao "estilo de vida degradante" dos americanos, é tão infiel quanto eles.

Os vídeos de Osama bin Laden pouco se diferenciam dos vídeos caseiros que viraram febre nos grupos de WhatsApp administrados por membros da direita raivosa do Brasil. Tudo começou com Olavo de Carvalho, um expert em teorias da conspiração – como a predominância do "marxismo cultural" nas universidades brasileiras ou a produção de refrigerantes a partir de fetos abortados – que denunciava para seus seguidores a necessidade de se combater as ideias progressistas na sociedade brasileira. Estes, por sua vez, entraram na onda de seu mestre e agora gravam vídeos pedindo do assassinato da presidenta Dilma Rousseff à aniquilação dos membros do Partido dos Trabalhadores, em vídeos que orgulhariam ao próprio bin Laden.

Paris, assim como Nova York, é uma cidade muito heterogênea, embora em escala um pouco menor. A capital francesa abriga diversas comunidades de estrangeiros, sobretudo das ex-colônias francesas na África. Cerca de 20% dos parisienses nasceram fora da França, segundo dados do censo de 2011. É uma cidade tão etnicamente diversa ao ponto de que o policial assassinado pelos terroristas em fuga que haviam acabado de atacar a sede do semanário Charlie Hebdo era muçulmano. Só que, ao contrário de Nova York, a atual crise econômica castiga mais duramente a capital da França. É aí que a narrativa de eliminação do Outro, que estaria impedindo a sociedade de prosperar, seja ele muçulmano, judeu, socialista ou ateu, ganha força.

No começo do ano, presenciamos ataques de franceses de origem muçulmana que não foram integrados à sociedade local e acabaram sendo atraídos pelo discurso radical, que nega a coexistência com o diferente e aponta-o como um empecilho à felicidade pessoal. O Outro que estaria impedindo a prosperidade dos muçulmanos na França era composto pelos ateus (chargistas do Charlie Hebdo) e pelos judeus (comerciantes do mercado kosher de Porte de Vincennes). Agora, os ataques foram organizados por uma entidade externa, o Estado Islâmico, assumindo um discurso parecido ao da al-Qaeda quando dos atentados de 11 de setembro. Paris foi descrita pelos terroristas como sendo "a capital da abominação e da perversão da Europa".

Os ataques em Paris (13/11/2015) e Nova York (11/09/2001) têm em comum o fato de que ambos representam ataques à heterogeneidade. Foram orquestrados por mentes que não aceitam a ideia de viver num mundo onde as culturas coexistam pacificamente, respeitando umas às outras. Não é à toa que o Facebook – que facilmente nos divide em grupos: democratas e republicanos, petistas e tucanos, crentes e não-crentes, reacionários e revolucionários, etc. – seja uma ferramenta tão eficaz para o Estado Islâmico recrutar novos soldados. Dividimo-nos em grupos, recebemos informações filtradas segundo nossa visão de mundo e nos tornamos cada vez mais intolerantes ao pensamento divergente. É uma ágora de pombos enxadristas.

Presenciamos o começo do ataque ao multiculturalismo (por grupos internos) também aqui no Brasil, em nossa metrópole mais heterogênea. Os haitianos foram eleitos por uma minoria que se julga prejudicada como o Outro que atrapalha o bem-estar da sociedade. Eles estariam vindo ao Brasil para "roubar os empregos" dos brasileiros e, assim sendo, precisam ser eliminados. Há poucos meses, refugiados haitianos foram atacados na porta de uma igreja em São Paulo. Apenas mais um pequeno exemplo de que o grande conflito do mundo contemporâneo é saber lidar com sua diversidade cultural. Enquanto não aprendermos a aceitar uns aos outros, cidades que simbolizam o multiculturalismo continuarão sendo vítimas de ataques.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Para onde vão os refugiados?

Qualquer cidadão desavisado, que se informa apenas pela mídia comercial, pode pensar que maioria dos refugiados oriundos de países em conflito estão fugindo para a Europa. É comum, inclusive, ouvir das vozes propagadoras do senso comum o discurso de que os países vizinhos aos conflitos na Síria e no Iraque não oferecem ajuda aos refugiados. Enquanto isso pode ser verdade para a Arábia Saudita - monarquia ultra-sunita apoiada pelos Estados Unidos e cuja elite apoia e investe pesado no Estado Islâmico anti-xiita -, não se aplica aos demais países da região.

Uma reportagem da National Public Radio evidencia isso. Enquanto parte dos refugiados perdeu as esperanças e pensa ser inútil continuar na região, por não avistarem um fim próximo do conflito, outra parte sonha com o fim das batalhas, quando poderão retornar para suas casas. Tanto é verdade que a maioria busca refúgio em países vizinhos às suas pátrias devastadas pelos conflitos militares. Muitas vezes, o local de origem dos refugiados e o local para onde eles fugiram fazem até divisa. Entre os refugiados sírios, por exemplo, apenas 10 a 15% foram para a Europa.

Principais destinos dos refugiados.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o número de refugiados atingiu a marca de 60 milhões de pessoas nesse ano, o maior desde o final da Segunda Guerra Mundial. Desse total, 5,25 milhões de refugiados saem da Palestina, 3,96 milhões da Síria, 2,68 milhões do Afeganistão, 1,32 milhão do Sudão ou do Sudão do Sul e 1,16 milhão da Somália. Ainda segundo a agência, nenhum país europeu estava entre os dez destinos mais procurados pelos refugiados na primeira metade do ano.

Dentre os países da Europa, destaca-se o apoio que a Alemanha vem dando aos refugiados. No início do ano, o país recebeu 440 mil refugiados, ficando na décima-terceira posição entre as nações mais procuradas pelos refugiados, pouco atrás do Chade na África Central. No entanto, a mídia comercial não se refere a uma suposta "crise de imigração" no Chade. Quando os refugiados são de países pobres e estão indo para outros países pobres, não há crise. No entanto, quando eles ousam atravessar o Estreito de Bósforo, marca indelével entre o progresso e o subdesenvolvimento, tornam-se um problema.

Países de origem dos refugiados.

A postura do governo alemão realmente é notável se considerarmos o conjunto dos países europeus. Na próxima atualização da lista de refugiados do ACNUR o país deve ficar entre os dez maiores destinos de refugiados no mundo. Deve-se, no entanto, apontar um padrão de dois pesos e duas medidas: enquanto Angela Merkel é indicada ao Prêmio Nobel da Paz por receber 440 mil refugiados, o governo da Jordânia já recebeu quase três milhões deles. Se fosse uma cidade, o campo de refugiados de Zaatari, com 80 mil habitantes, seria a segunda maior da Jordânia, atrás apenas da capital Amã, o que traz grandes pressões para os serviços públicos locais.


Refugiados eternos

O maior grupo de refugiados do mundo, segundo o ACNUR é o dos palestinos. A guerra árabe-israelense de 1948 deu origem à população original de refugiados palestinos, composta por cerca de 700.000 pessoas. Seus filhos e netos também são considerados refugiados e a maioria habita no Líbano, na Jordânia e na Síria, além, é claro, dos territórios palestinos (Faixa de Gaza e Cisjordânia). A guerra síria provocou o deslocamento de alguns desses palestinos, o que fez com que eles se tornassem refugiados pela segunda vez.

Num mundo cada vez mais globalizado e conectado, os países ocidentais não podem mais ignorar cenas como as do menino Aylan morto na praia. Urge aos governos ocidentais encarar a questão de maneira frontal e não apenas de maneira periódica e a uma distância segura. Atacar as causas dos conflitos, apoiar o ACNUR e investir na infra-estrutura (local ou não) para receber os refugiados é o mínimo que se espera. Que não fiquemos parados enquanto mais uma geração de refugiados eternos surge. É o mais humano a se fazer.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A guerra civil brasileira

Eu entendo seu sofrimento, morador da orla de Copacabana. Afinal, também sou homem, cisgênero, branco, de classe média alta, com diploma de ensino superior e cristão no Brasil. Nossa vida realmente é muito sofrida!  
Adaptado de um comentário de um americano numa página do Facebook ironizando outro americano, islamofóbico.

Às vezes minha mente entra em curto-circuito com algumas informações. Recentemente isso aconteceu quando recebi a notícia de que jovens – brancos – do Rio de Janeiro estavam marcando, via WhatsApp, ataques a ônibus que trazem outros jovens – negros – para as praias mais famosas do mundo. Simultaneamente, no município vizinho de Niterói, pipocaram cartazes, imediatamente retirados pela prefeitura, de um grupo que afirma ser o capítulo local da Ku Klux Klan. Para quem não sabe, a KKK é um grupo formado por estadunidenses brancos e protestantes que perseguem violentamente as minorias sócio-políticas daquele país: negros, judeus, católicos, ateus, imigrantes e socialistas. O motivo para a escalada do fascismo à carioca seria o aumento dos arrastões nas praias do município, amplamente divulgados pela mídia comercial. Em Portugal, o discurso irresponsável da mídia ao noticiar um falso arrastão gerou uma onda xenófoba na sociedade. O caso é estudado nas faculdades de jornalismo como um exemplo do poder da mídia para reforçar preconceitos.

O fato concreto é que o Brasil está passando por uma guerra civil que se intensificou desde que a presidenta Dilma Rousseff, do outrora socialista Partido dos Trabalhadores, foi reeleita há cerca de um ano. Embora o PT seja mais semelhante a um partido europeu de centro-direita, ele é percebido, devido à demografia de seus eleitores, como uma ameaça à manutenção do status quo. Mesmo que Dilma tenha cedido ao Deus mercado e esteja governando seguindo a cartilha liberal de seu adversário, o barco fascista no qual os eleitores anti-PT mais fervorosos embarcaram não foi afundado. Pelo contrário, foi fortalecido por uma mídia e por uma oposição que deixou-se guiar por pupilos de um astrólogo que se diz filósofo e luta contra uma ameaça comunista inexistente na sociedade brasileira (o PT foi o partido que mais trouxe lucros aos bancos, alardeou Lula diversas vezes). É interessante para a mídia e para a oposição manter esse barco no mar da política brasileira como forma de pressionar a Dilma a governar para os ricos. Assim que ela hesita em tomar uma medida impopular, eles organizam e promovem atos pró-impeachment.

Agora que a presidenta enfim cedeu às pressões daqueles que nada produzem e vivem de roubar o patrimônio dos brasileiros, a Rede Globo, ela mesma alvo dos fascistas em tais manifestações, arrefeceu seus ânimos golpistas. No entanto, a mídia criou e alimentou por anos uma legião de fascistas que odeia todo mundo que não se parece com os membros da turba (um gari, negro, foi expulso de um protesto anti-Dilma acusado de ser petista). Essa turma não irá desaparecer tão cedo. De maneira semelhante, o principal partido de oposição, que ironicamente se chama Partido da Social Democracia Brasileira, na ânsia de ganhar a eleição presidencial após três derrotas sucessivas, atraiu para si o pior tipo de ser humano. Não estou generalizando. Há gente boa e ruim em todos os locais e partidos políticos não são exceção. Mas tenho razões – pessoais, inclusive – para acreditar que o eleitorado do PSDB caiu de nível desde 2010. Ao invés de apresentar propostas, o partido vale-se do ódio ao PT e aos que votam nele para tentar ganhar a presidência da República. Se chegar lá, seu eleitorado recém-conquistado exigirá do PSDB a exclusão daqueles identificados como petistas – negros, índios, LGBTs, mulheres emancipadas, etc.

Eu senti na pele o ódio ao eleitorado petista. Na véspera do segundo turno da eleição presidencial do ano passado, na madrugada de 25 para 26 de outubro, saí com um amigo, também gay. Fomos a uma boate e depois a uma lanchonete no centro da cidade. Foi então que tivemos a "brilhante" ideia de pegarmos um táxi na porta de outra boate. No caminho, parou um carro com rapazes – brancos – muito bem vestidos. Um deles, visivelmente com a consciência alterada por alguma droga, desceu com uma arma na mão e levou a carteira e o celular do meu amigo. Quando chegou minha vez, congelei e não consegui sequer colocar a mão no bolso. Aí ele viu que eu estava com um adesivo escrito "Comunidade LGBT apoia Dilma" no peito e me espancou. Levei uma coronhada no rosto e um chute que fraturou uma vértebra. Por um milagre ainda estou vivo, afinal de contas ele poderia muito bem ter dado um tiro na minha cara e fugido diante da minha recusa. Eu seria apenas mais uma vítima da guerra civil brasileira que silenciosamente extermina negros, índios e LGBTs todo santo dia. Quando penso que o PSDB se tornou representante de gente que faz isso, tenho muito medo.

A elite brasileira, como demonstra um vídeo de uma reportagem do final dos anos 1980 que viralizou essa semana, sempre existiu. No entanto, as novas tecnologias permitem aos fascistas coordenarem seus ataques contra aqueles que são encarados como ameaça a seus direitos (que não foram construídos, mas sim herdados), sejam eles índios Guarani-Kaiowá ou jovens de pele escura que querem curtir a praia de Copacabana ou Ipanema após trabalharem 44 horas por semana no morro. Uma fala que ouvi no meu primeiro ano na faculdade de jornalismo me marcou muito. Eliani Covem, professora e coordenadora do curso, disse algo como "temos que nos lembrar que, apesar da favela sempre ser mostrada como local de crimes, a maioria das pessoas que moram nela são honestas". Até então eu – e tenho até vergonha de admitir isso – tinha uma ideia lombrosiana de que a pessoa seria mais propensa para o crime devido ao local geográfico em que ela nasceu. Infelizmente, por uma série de fatores socialmente construídos, é assim que a maioria dos brasileiros pensa. 

As escolas privadas que aprovam quase todos seus alunos em vestibulares concorridíssimos ensinam a seus alunos tudo sobre a biologia humana, mas falham em ensinar o básico: que somos todos iguais, independente de onde nascemos. As emissoras de televisão, que pertencem a todos nós e são concedidas pelo Estado a empresários privados, mostram as favelas como antros do crime. É risível o tratamento dispensado a criminosos pobres e ricos. Ao cobrir os arrastões, os jovens negros são retratados pela mídia como "menores", mesmo as vítimas. Por outro lado, ao cobrir os linchamentos marcados por WhatsApp, a mídia se refere aos jovens brancos como "jovens", mesmo que eles estejam em flagrante conflito com a lei, que não permite ações paramilitares. Quando os filhos de figurões cariocas atropelaram e mataram pessoas, a mídia só faltou dizer que os carros de luxo deles foram atropelados por um ciclista e por um pedestre. A mídia promove um dualismo que nem sempre existe no mundo real, afinal o real é complexo e o virtual é simplificado. Dessa simplificação, nasce a ideia de que certos setores da sociedade são intrinsecamente ruins e devem ser extirpados.

O fascismo brasileiro, que alimenta a guerra civil invisível, surge nos pequenos comentários que por vezes deixamos passar batido. Começa na tentativa de eliminar o ritmo musical mais ouvido pelo povo e termina na tentativa de eliminar o próprio povo. Transforma o Brasil no campeão mundial de assassinatos de transhomossexuais e ativistas do campo e em vice-campeão de assassinatos de jovens negros. São os bodes expiatórios da guerra contra o povo. É comum as elites elegerem um bode expiatório para continuarem lucrando, sobretudo durante crises. Nos anos 1930, Hitler prometeu o enriquecimento dos alemães de classe média e alta através da expropriação das propriedades de judeus que, segundo ele, seriam os responsáveis por controlar a maior parte da riqueza nacional. Donald Trump pretende expulsar os imigrantes mexicanos que estariam roubando os empregos dos americanos, enquanto Marine Le Pen pretende se tornar a primeira presidenta da França valendo-se do medo dos imigrantes algerianos. Vale notar que mexicanos e algerianos estão mudando rapidamente a demografia de ambos os países, assim como a Era Lula mudou a demografia de shoppings, universidades e aeroportos.

Enquanto eu puder escrever, denunciarei as tentativas de calar a voz dos oprimidos. Embora homem, cisgênero, branco, de classe média alta, cristão e com ensino superior completo, como afirmei na epígrafe desse texto, também sou homossexual. E isso muda toda a minha percepção de mundo, fazendo-me identificar com os membros de outros grupos igualmente oprimidos. Creio ter sido isso que motivou a rebelião poética de Cazuza contra sua classe social. Assim como na época do poeta, os tempos atuais são duros, mas eu não tenho medo. Um dia os oprimidos perceberão que são maioria e, quando isso acontecer, não haverá grupo de WhatsApp, comentário de jornal ou textão do Facebook capaz de conter a verdadeira expressão popular do Brasil. É uma pena termos perdido um importante aliado nessa luta: o PT, que escolheu trilhar o caminho do SPD dos anos 1930, quando perdeu sua influência e seus votos para o Partido Nazista após ter capitulado para a direita. Tenho, no entanto, confiança na maturidade dos movimentos sociais, que cada vez mais se unem contra as tentativas de criminalização e extirpação dos oprimidos. Como afirma Kiko Nogueira, é preciso lutar contra essa loucura, mesmo que não dê em nada.

domingo, 9 de agosto de 2015

Ode aos haitianos

Texto publicado no site do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs:

Não sei o nome de vocês. Tampouco sei os detalhes de suas vidas. Só sei que vocês foram brutalmente baleados na tarde de 1° de agosto de 2015 na cidade de São Paulo. Dois na Rua do Glicério e outros quatro na escadaria da Igreja Nossa Senhora da Paz, que tão gentilmente acolhe aqueles que, escapando da guerra ou da pobreza, buscam refúgio no Brasil.

O que sei sobre vocês é que descendem de africanos que foram trazidos para esse continente em caixas de quatro metros quadrados. Ao chegaram aqui, esses seres humanos foram marcados a ferro quente como gado, suas crenças foram ridicularizadas e eles foram obrigados a se converter ao catolicismo. Vendidos como animais de estimação, foram obrigados a trabalhar em canaviais de açúcar.

Eles aprenderam a falar o francês e a rezar para a Virgem Maria, mas mantiveram suas tradições de alguma forma intactas. O dialeto característico de vocês – o creole­ –, assim como sua religião sincrética – o vodu – surgiram como marcas da resistência de seus ascendentes à assimilação cultural imposta pelos franceses.

Em 1791, cansados de verem seus filhos morrerem para produzir um punhado de açúcar, seus ascendentes se revoltaram e proclamaram a independência do Haiti, que se tornou o primeiro país do continente livre do tráfico negreiro e da escravidão. Mas é claro que o povo que outrora os dominara não deixaria isso passar batido.

Desde então, o país de vocês vem sido governado por líderes corruptos que representam os interesses das potências estrangeiras. Em 1993, veio a esperança da mudança na forma da eleição do padre Jean-Bertrand Aristide, ligado à teologia da libertação. No entanto, ele foi deposto não uma, mas três vezes para garantir os interesses das grandes potências econômicas na minúscula ilha.

O Haiti é aqui!

O último golpe sofrido por Aristide teve a participação fundamental de meu país e, por isso, eu peço desculpas ao povo haitiano. Como tragédia pouca é besteira, em 2010 um terremoto de 7 graus na escala Richter matou cerca de 200 mil concidadãos de vocês e destruiu a já frágil economia de sua nação. Desamparados, muitos de vocês vieram ao Brasil cujo governo, por sua participação no último golpe de Estado haitiano, se sentiu na responsabilidade e no dever de acolhê-los.

No entanto, nosso povo, nutrido por uma mídia fascista, acredita que vocês “roubam” os trabalhos dos brasileiros. Atualmente passamos por uma crise econômica de escala global e, em momentos de crise, é comum as camadas iletradas da população achar um “bode expiatório” para culpar que não sejam os banqueiros, uma vez que são convencidos de maneira entorpecente pelos donos do poder de que a altíssima concentração de renda em nosso mundo é benéfica a todos e o problema são aqueles que não tiveram a oportunidade de se desenvolverem.

Foi nesse contexto em que vocês foram baleados na cidade de São Paulo. Embora sou apenas um cidadão brasileiro, gostaria que vocês soubessem que não faço parte dessa onda fascista que assola nossa sociedade e vitimiza aqueles já tão vitimizados por um sistema social injusto. Quero que saibam que sou solidário a sua dor, causada para manter as coisas como elas estão e desviar a atenção dos problemas socioeconômicos para a questão da imigração. Peço perdão em nome de todos os brasileiros que repudiam o que aconteceu com vocês e espero ser perdoado.

Sem mais delongas, gostaria de fazer um ode a todos os imigrantes haitianos. Que vocês tenham a coragem de enfrentar a vida que aqueles que atacaram vocês – e não os verdadeiros responsáveis pela atual crise econômica – não tiveram. Desejo-lhes muita sorte e felicidade na construção de uma vida nova em nosso país. Que o Brasil ofereça-lhes as oportunidades que lhes foram negadas no Haiti. Depois de tudo que vocês e seus ascendentes tiveram que enfrentar, vocês merecem!