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quinta-feira, 15 de março de 2018

Poema: Saiba que (Para que continue a me amar)

Verso 1
Você me trouxe uma novidade
Obrigado, agradeço a sinceridade
Segundo você. as coisas mudaram
Faz sentido, pois as flores murcharam
Agora nossas chances se acabaram
O tempo passou
O amor terminou


Refrão
Mas saiba que vou procurar seu coração 
Em qualquer lugar aonde você o levar 
No frio e no escuro, no calor e no clarão 
Sua alma eu vou procurar 
Vou te enfeitiçar 
Para que continue a me amar

Verso 2
Por que você me procurou?
Foi por sua causa que tudo começou
Você me atraiu e você me tocou

Não deveria ter sido fácil ao me entregar
Afinal, eu não sei muito bem como jogar
Para que continue a me amar

Verso 3
Me dizem que hoje em dia funciona dessa maneira
Que agem uns com os outros como se fosse brincadeira
Mas eu não sou os outros

Antes que nos afastemos
Antes que nossa história descartemos

Refrão
Saiba que vou procurar seu coração 
Em qualquer lugar aonde você o levar 
No frio e no escuro, no calor e no clarão 
Sua alma eu vou procurar 
Vou te enfeitiçar 
Para que continue a me amar

Verso 4
Cantarei em línguas para te louvar
Viajarei pro campo para te lavrar
Vou no terreiro consultar meu orixá
Sem titubear, farei o que ele mandar
Para que continue a me amar


Verso 5
Em rei me proclamarei
E, que fique, ordenarei

Me transformarei num jogador
Para conseguir te satisfazer
Jogarei suas partidas com esplendor

E isso vai te satisfazer
Serei ainda mais belo e meu nome brilhará
E, assim, sua chama renascerá

Em ouro, vou me transformarPara que continue a me amar

sexta-feira, 3 de março de 2017

Poema: Ansiedade

Eu faço tudo com tanta intensidade
Que me esqueço da importância da felicidade
Escrevo com força e rasgo a folha de papel

Sou consumido pela ansiedade
Que faz da minha mente uma torre de Babel


Eu sofro por antecipação
Só de pensar na rejeição
Que ainda não aconteceu
Mas que vai acontecer, sim

Pois minha mente me convenceu
Que ninguém gosta de mim

Queria apenas deitar na grama e relaxar
Sem pensar naquilo que poderia ser

Curtir o agora e deixar a vida passar
Aproveitar os poucos momentos de prazer
Pelo passado, não me culpar
E tampouco o futuro antecipar

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Poema: Sábado, num bar

Respiro fundo e começo a me arrumar
Ele não gostava quando eu usava rosa grená
Coloco uma música no meu celular
Ele não gostava do que eu gosto de escutar

Cheguei no local que havíamos combinado
Achei que não, mas você chegou em antecipado

Você estava lá e caminha até mim
Me pergunto por que essa beleza sem fim
O meu sorriso, você elogia
Sem saber como isso me traz alegria

Você, quando sorri, joga a cabeça pra trás
Acho estranho que eu te encanto
É o primeiro que assim faz
Passei os dois últimos anos em espanto
Achando que tudo o que o amor faz
É deixar meu coração em quebranto
Mas, num sábado, num bar
Vi tudo de novo começar

Você me diz que nunca conheceu
Alguém com os mesmos gostos que os teus
Você me conta casos e não sabe por quê
Eu fico tão calado, mas é porque gosto de você


Você, quando sorri, joga a cabeça pra trás
Acho estranho que eu te encanto
É o primeiro que assim faz
Passei os dois últimos anos em espanto
Achando que tudo o que o amor faz
É deixar meu coração em quebranto
Mas, num sábado, num bar
Vi tudo de novo começar

E, quando entrávamos no carro, você junto comigo
Quase falei de quem eu não deveria
Mas você começou a me falar dos seus amigos
E, de repente, falar disso eu queria
Pela primeira vez, o passado
Ficou lá no passado

E quando você, mais uma vez, andou até mim
De novo pensei: pra que tanta beleza assim?


Você, quando sorri, joga a cabeça pra trás
Acho estranho que eu te encanto
É o primeiro que assim faz
Passei os dois últimos anos em espanto
Achando que tudo o que o amor faz
É deixar meu coração em quebranto
Mas, num sábado, num bar
Vi tudo de novo começar

sábado, 25 de junho de 2016

Poema: Brexit

O Reino Unido rejeitou a União
Com a Europa em recessão
Escócia e Irlanda rejeitaram essa visão
Londres já fala em virar cidade-nação

Ao votar sim, a Inglaterra acabou com a coesão
E pode deixar a Rainha sem a dominação
Da Escócia, que já fala em secessão
Da Irlanda, que discute a união

A Inglaterra queria o fim da imigração
Mas pode ficar sozinha na União 
Do povo bretão, que em 1707 forjou uma nação
Bom, ainda há, Gales, se serve de consolação

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Poema: Isto é o Brasil

Andando na selva de concreto
Avisto uma sem-teto
Com ela, ninguém se importa
Sorrio e ela me sorri de volta
No horizonte, prédios bonitos são erguidos
No chão, símbolos de um Estado falido
Seres humanos deitados na própria sujeira
No meu celular, a democracia vira poeira

Sindicatos queimando
Sem-teto agonizando
Do tiro que levou de um milico
Índios amaldiçoando
O governo do pudico
Meu coração bate a mil
Isto é o Brasil

Moro num país tropical abençoado por Deus
Onde seus filhos morrem de frio em noites de breu
No metrô, um celular é roubado
No coletivo, mais um morre esfaqueado
Nisso, a elite comemora o fim da democracia com festança
E o povão não consegue ver futuro nem ter esperança

Mais injustiça, mais indignação, mais repressão
Mais balas saindo das armas dos milicos
Aos Estados Unidos, garantimos nossa submissão
E as mulheres lamentam sua não-representação 
No governo exclusivo dos ministros ricos
Meu coração bate a mil
Isto é o Brasil

Sessenta e quatro, o jornais passaram a recriar
O povo está chocado demais para protestar
Policiais e militantes à paisana nos interrogam
As manifestações culturais eles já calaram
Mas já tivemos sequer cultura alguma
Além do ódio e do preconceito que agora fecundam?

À psicóloga cristã, foi garantido
Homofobia na educação agora é institucionalizada
O processo civilizatório está oficialmente perdido
E a carestia segue louca e descontrolada
Mas não pense em crise, trabalhe!
Esqueça como o Brasil falha
Parabéns, conseguiram seu país de volta
Governem agora sem negros na escolta

Povo queimando
País agonizando
Do golpe que levou de um burrico
Índios amaldiçoando
O governo desse pudico
Meu coração bate a mil
Isto é Brasil

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Poema: Perturbação

O que está acontecendo?
Tem um ladrão na minha mente

Será que estou enlouquecendo?
Tudo acontece tão de repente

Não consigo me concentrar
Não consigo ter prazer
Nada consegue me fascinar
Quero somente padecer

Persigo a escuridão como se fosse a luz
A um feixe minha sanidade se reduz
Estou te assustando?
Que perturbação!

Até que tô gostando
Dessa inquietação

Não consigo me libertar
Dessa doença mental
Acho que vou gritar
Por uma dose fatal

Perturbação
A escuridão é a luz
Inquietação
A sanidade se reduz

domingo, 3 de abril de 2016

Poema: Koch-suckers

Que as coisas de graça possam acabar
Que o Armínio possa, enfim, voltar

Que o Estado volta a sua função original
De ama-de-leite do grande capital

Acabem com o Brasil,
Koch-suckers
Com o verde, amarelo e azul-anil
Motherfuckers

Que acabem com o pré-sal
Não vejo nenhum mal
'O Globo' diz que é a demanda popular
Daqueles que não sabem raciocinar

Somos o país do futuro?
Cultivamos hábitos do passado

Como acreditar em furo
De mídia ultrapassada

Por isso, vamos acabar com o Brasil
Somos Koch-suckers
Vamos acabar com o verde, amarelo e azul-anil
Somos motherfuckers

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Para um amigo meu

Para um amigo meu, leitor do blog, que se mudou para Fortaleza:

Desejo que você se fortaleça
Que as coisas boas que viveu aqui
Em seu coração permaneçam
E que as coisas ruins não cheguem aí
Essas, é melhor que você esqueça

Que leve sua mente enfim possa estar
Que seja muito bem recebido em seu lar
Que sua mãe você abrace forte
E seus gatos você reconforte
Que seus amigos você consiga reencontrar
Que vocês possam se divertir
Que a todos você possa contagiar
E, principalmente, fazer-lhes rir

Que esse ano nos traga apenas o melhor
Pois dois mil e quinze só trouxe o pior
Que possamos finalmente sorrir
Que não encontremos pessoas a nos ferir

Sua vida estava um turbilhão
Nela, eu entrei de supetão
Mas eu sei que se eu sumir
Minha falta você vai sentir

Saiba que, apesar da distância
Comigo pode sempre contar
Você é de muita relevância
Desejo te ver avançar

Quero estar presente
Gente assim é difícil de encontrar
Gentil, sensível e inteligente
Espero poder te reencontrar

Que o Buda que te dei lhe ajude a seu espaço encontrar
Goiânia ou Fortaleza, tanto faz, não cabe a mim julgar
Quero apenas que esteja feliz com o que escolher
E que possamos continuar a nos corresponder 
Nem que seja só no meio virtual
Que essa mudança não seja um ponto final

São os meus desejos para ti, amigo.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Poema: Maquiar, sorrir, arreganhar

O que há de errado comigo?
Sente-se e escute bem o que vou lhe dizer, amigo
Há uma grande diferença entre cuidar
E querer me adestrar

Me maquiar, sorrir e arreganhar
É isso que você espera de mim
Capte bem o que vou lhe falar
Se não quer que esse seja nosso fim

Vestido de renda para ver seus amigos
E couro no quarto para te satisfazer?
O que você está fazendo comigo?
Visto o que eu bem entender

Puta na cama e santa na rua?
Meu bem, não sou propriedade sua
Posso ser a Madre Teresa na cama
E jogar suas malditas regras na lama

Me cuidar, ser boazinha e dar
É isso que você espera de mim
E como não captou o que eu tinha pra falar
Baby, esse é o nosso fim

Meu bem,  que você quer é brincar de casinha
Sei onde vai arranjar uma mulherzinha
Numa loja, onde vendem bonequinhas
Ao contrário de mim, ela nem abre a boquinha

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Poema: Desde que você foi embora

Desde que você foi embora
Não ranjo meus dentes mais
Joguei suas cartas fora
Faço o que quero, em paz

Desde que você foi embora
Me tornei uma pessoa mais calma
Joguei o ciúme e a raiva fora
Encontrei o silêncio na minha alma

Desde que você foi embora
Voltei a rir e ser eu mesmo, me reencontrei
Se preciso me negar para alguém, tô fora
Achei o amor verdadeiro e me entreguei

Obrigado pelo sofrimento
Pus minha vida em movimento
Obrigado pela aflição
Lido melhor com a frustração
Obrigado pela dor
Encontrei o verdadeiro amor

Desde que você foi embora
Posso ser quem eu realmente sou, mil em um
Joguei o garoto inseguro fora
Vivo sem expectativa, meus dias são um a um

domingo, 13 de dezembro de 2015

Poema: Não sou imbecil

Meu amor, o que aconteceu?
Não conversa mais, você mudou
Parece até que alguém morreu
Você está frio, se distanciou

Você está aqui, mas estou sozinho
Um lar nossa casa não é mais
Caí do ninho, tô sem carinho
Você sai e me deixa pra trás

Não sou um imbecil
Sei que há algo acontecendo
Você chega, meu coração vai a mil
Nosso amor está morrendo
Não deve demorar
Pra você me deixar

Se você quer ir embora
Então por que não me diz?
Não jogue nossa amizade fora
Ainda podemos ter um final feliz

Sei que tudo sempre chega ao fim
Mas você é meu melhor amigo
Terminar vai ser o meu fim
Pensava até em ter filho contigo

Quer saber, vá
Fique com o outro lá
Meu coração está a mil
Mas eu não sou imbecil

domingo, 22 de novembro de 2015

Poema: As pessoas

As pessoas não querem saber
O que te rói
As pessoas não querem entender
Se sua alma dói

As pessoas só querem se mostrar
Lindas, inteligentes e atenciosas
Mas as pessoas vão te julgar
Porque elas são perniciosas

Não se engane, as pessoas não valem nada
E vão te dizer sempre uma coisa inadequada
As pessoas vão rir do seu sofrimento
E oferecer meios para acabar com seu tormento

Mas não faça isso, resista!
Porque tudo o que as pessoas desejam
É que, de lutar, você desista
Para que, sua tragédia, festejem

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Poema: Deus

Deus, como é ser abusado?
Te acusam de se omitir
Mas Você também é estuprado
Por quem só sabe mentir

Vejo os mercadores da fé
Andando de carro importado
Seu filho andava a pé
E por mercadores da fé foi assassinado

De que adiantou Seu filho vir pregar?
As lições não foram aprendidas
O homem nasceu para odiar
E humilhar as pessoas sofridas

Deus, como é ser ignorado?
Só sabem zombar de Suas leis
Você é massacrado e violado
Por aqueles que querem ser reis

No altar, palavras de ódio sobre quem pregou o amor
E, sobre quem pregou desapego, exaltação ao dinheiro
Queria poder não mais acreditar no Senhor
Para ficar livre desse Seu povo rasteiro

Deus, mostre-me a rota
Desvia-me dessa frota
Quero viver Seu amor e Sua paz
Entre fariseus, não quero viver mais

Deus, como é ser abusado?
Estarei sempre do Seu lado
Enquanto Você é de novo crucificado
Por quem de cristão está mascarado

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Poema: Garota independente

Inspirado na canção "Modern Girl", composta por Frank Musker e Dominic Bugatti.

Ele acordou e disse: "bom dia"
Pegou o controle e ligou a televisão no jornal
Tomou banho enquanto o café ela fazia
Ele disse: "foi ótimo, mas preciso fazer minha corrida matinal"
Ela fingiu um sorriso enquanto pela porta ele saiu
Esse filme, mil vezes ela já viu

De homem, ela nada espera
Mas se vira com quem a paquera
Ela define quem será, ela vive livremente
Tudo o que ela quer ser é uma garota independente

Parece que mais uma vez vai garoar
Ela pega o metrô para ir trabalhar
Lê algo em seu look retrô ate o trem parar
Hora de, nos túneis, seus sonhos deixar

Ela pensou o dia todo nele
Chegou em casa e recebeu mensagem dele
Querendo levá-la para jantar
Ela respondeu: "não posso, hoje vou sair pra dançar"

De homem, eu nada espero
Me viro com quem me paquera
Defino quem serei, eu vivo livremente
Tudo o que quero ser é uma garota independente

sábado, 31 de outubro de 2015

Poema: Natal sem Dilma

Nosso Papai noel nunca será vermelho!
Vamos nos livrar da Dilma até o Natal
Somos cristãos, nos damos bem no final
Vamos, sem focinheira, ao ataque
Com ajuda da PM, boa de massacre
Depois vamos na missa confessar
Se for o caso de Jesus voltar

Vamos nos livrar da Dilma, por favor
Ela é a causa de todo esse desamor
O PT destruiu nosso país
Tudo culpa d'um tal Luiz
Eu vi na TV, na internet e na Veja
Na rádio, entre a música sertaneja

Vamos nos livrar da Dilma, puta comunista
Que com o MEC endoutrina as crianças
Queremos uma nação fascista
Essa é a nossa última esperança
Porque pobre não pode ter vez
Vamos enfiar feminazi no xadrez

Vamos nos livrar da Dilma, ela fraudou a eleição

O PT pagou pra não dar no Jornal Nacional
Trouxeram haitiano e cubano pra votação
É verdade, eu acredito na minha doença mental
E embora ela me faça babar
Tenho o direito de ruminar

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Poema: Voltem militares

Dedicado a todos os lunáticos que saíram de suas casas pedindo o fim da democracia.

Não aguento mais essa horda de haitiano
Quero o corpo daquele pernambucano
Não aguento mais política assistencial
Predestinada é a minha classe social

Nação comunista, ditadura gayzista
Nação fascista, sociedade classista
Pobre votando, eleição comprada
Sampa secando, mídia calada

Não tem água na capital? Tá legal
A gente compra água mineral
Não tem água na favela? Azar
Quem mandou nascer nesse lugar?

Voltem militares
Não aguento mais a corrupção petista
Faremos jantares
Para celebrar a nossa sanha privatista

Não aguento mais essa hora de nordestino
Enquanto isso o meu estado está falindo
Quero ver o povo de volta no curral
Predestinada é minha classe social

Nação comunista, ENEM feminazi
Foi Olavo que me ensinou essa frase
Nação hipócrita, sociedade ignorante
Sampa secando, estou delirante

Se o rolo que eu vejo no jornal é federal
Pego minha janela e bato panela
Se o rolo que eu não vejo é estadual
É problema dos petistas da favela

Voltem militares
Para celebrar nossa hipocrisia
Faremo-lhes jantares
Vai nos dar uma baita azia

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Poema: Ajuste fiscal

Na tevê, na banca de jornal:
O governo gasta muito com o social
Tem que cortar a folha de pessoal
E fazer um ajuste fiscal

Tem que garantir o déficit primário

Saúde e educação é gasto secundário
Pro Itau, seu voto não é necessário

E o Bradesco quer o estelionato bancário

Democracia para banqueiro
Ajuste para nós, juro para eles
Quebra-banco é maloqueiro
Mas quem nos rouba são eles

Ajuste fiscal
Corta no social
Tem que ter dinheiro
Para pagar banqueiro

Corta na educação
Aumenta o preço do pão
Tira do povão
E dá pro patrão